É aquela publicidade que contém discriminação de qualquer natureza, que incita a violência ou a discriminação, explora o medo, desrespeita valores ambientais, ameaça a saúde e a segurança ou se aproveita da vulnerabilidade e da deficiência de julgamento. A publicidade infantil é um tipo de publicidade abusiva.
Ela é distorcida e desvia dos padrões éticos e sociais, que devem guiar as campanhas publicitárias. Pode induzir a adoção de um comportamento prejudicial ou perigoso à saúde e à segurança das pessoas consumidoras.

A publicidade se torna abusiva quando, para vender, explora a vulnerabilidade da pessoa consumidora, causa medo, induz a um comportamento prejudicial ou se aproveita da falta de conhecimento e experiência da pessoa. No caso dos alimentos, isso é ainda mais grave, pois impacta diretamente a saúde individual e coletiva. Anúncios que associam o consumo de um produto ultraprocessado a ideias de saúde ou exploram a deficiência de julgamento e experiência da pessoa consumidora são exemplos clássicos dessa prática.
Esse tipo de propaganda é considerada abusiva porque não se limita a apresentar o produto, mas cria uma narrativa fantasiosa e emocional em torno dele. Isso pode levar a pessoa consumidora, especialmente aquela em situação de maior fragilidade, a fazer escolhas alimentares baseadas em expectativas irreais, sem a devida compreensão dos riscos à saúde envolvidos. A legislação brasileira protege o cidadão contra essa manipulação, pois o direito à saúde e à informação adequada e clara devem prevalecer sobre as estratégias de publicidade.

A prática é abusiva quando um alimento não saudável é associado ao bem-estar social. Por exemplo, um comercial que mostra eventos sociais, como festas e confraternizações nas quais produtos ultraprocessados são associados à construção de vínculos entre as pessoas. Esse tipo de publicidade, que naturaliza a presença de produtos com altos teores de nutrientes críticos em situações de lazer, cria uma falsa relação entre os benefícios da socialização e o consumo de produtos maléficos, ocultando o risco que os ultraprocessados representam à saúde das pessoas consumidoras.

A publicidade é abusiva quando associa o consumo do produto a uma solução milagrosa, como por exemplo, a perda de peso, explorando a vulnerabilidade de pessoas insatisfeitas com o corpo. Anúncios de ultraprocessados que usam frases como “perca 10kg em uma semana sem esforço” ou que contrastam imagens de de fracasso e tristeza como “antes” e de sucesso e felicidade como “depois” criam expectativas irreais. Essa prática é proibida porque explora a ansiedade da pessoa consumidora, induz a comportamentos prejudiciais à saúde, e vende uma solução fantasiosa para um problema complexo.
A publicidade se torna abusiva quando incentiva o consumo como válvula de escape para emoções negativas, como estresse ou tédio, ou como recompensa obrigatória após um dia difícil. Anúncios que mostram uma pessoa se “premiando” com um alimento pouco saudável após uma conquista banal ou um momento de frustração exploram a fragilidade emocional. Essa estratégia associa a comida a um prazer imediato e recompensador, podendo incentivar comportamentos compulsivos e uma relação pouco saudável com a alimentação, indo além da simples oferta do produto.
A publicidade de alimentos pode aparecer na televisão, rádio, revistas e jornais. Na internet, elas podem estar em diferentes formatos, como em publicações nas redes sociais e até junto a youtubers e influenciadores (os famosos unboxings e recebidos, por exemplo). Além disso, há lugares que às vezes nem reparamos, mas estão repletos de publicidade, como eventos em escolas, empresas e parques, materiais didáticos, panfletos, folders, banners e promoções. Os próprios rótulos dos produtos também funcionam como meio de publicidade, no qual os elementos para atrair os consumidores ganham mais destaque que as informações realmente importantes. Muitas vezes, é tão difícil identificar, que não notamos que estamos sendo persuadidos a escolher determinado produto.
Vamos juntos relatar esses abusos. Denuncie qualquer suspeita!